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Outubro 16, 2002
Setembro 20, 2002
Sinais - Signs O que posso dizer desse filme? Em primeiro lugar diria que é um ótimo suspense. O indiano mais amado dos EUA depois de Deepak Chopra usou e abusou de melhores truques do Hitchcock e até bolou alguns novos e surpreendentes, como na cena do porão, onde a lanterna cai no chão e a câmera acompanha a "visão" da lanterna, enquanto você ouve os barulhos. Genial. Como conteúdo o filme deixa muito a desejar. Temas como fé, coisas que não acontecem por acaso e "Deus" não são exatamente o meu forte. O "Senhor Noite Shayamalan" insiste muito nisso chegando a encher o saco, apesar de um ou outro diálogo inteligente. O filme caminha nessa linha mais do que óbvia, culminando em um final no mínimo piegas. Sem contar com os "defeitos" especiais. Os tais aliens são muito mal feitos para os padrões hollywood, além de várias incoerências que eu não vou citar aqui para não perder a graça. Enfim, meu overall rating fica em 6,5. ![]() Agosto 24, 2002
Muse – Origin Of Symmetry
Showbiz, o primeiro disco da curta carreira do Muse, foi aclamado pela crítica e cultuado por muitos ingleses. Entretanto, ninguém conseguia desassociar o som deles com o do Radiohead. Alguns até falavam que eles eram um versão mirim do grupo de Thom Yorke. Com "Origin Of Symmetry", disco lançado no ano passado, Matt Bellamy e companhia vieram provar ao mundo que o Muse não precisa imitar banda alguma, mas que está pronto para gerar uma horda de imitadores e influenciados. A sensação de grandiosidade das músicas é admirável. A combinação da voz ilimitada do rouxinol Matt Bellamy, o melhor vocalista do gênero em atividade, com guitarras que oscilam entre nervosismo e sutileza e pianos e teclados frenéticos ou angelicais dão um ponto de partida para as músicas que não pode dar errado. Cada faixa possui suas peculiaridades. Temos as mais comercias e diretas "Plug In Baby" e "Hypermusic" ou as experimentais "Screenager" (note a percussão) e "Microcuts", em que o vocal se torna um instrumento. As geniais "Newborn" e "Bliss", singles do disco, com seus refrões contagiantes e perfeita harmonia de teclados e guitarras, são as que mais chamam a atenção logo no início. Aliás, o início de "Bliss" me lembra bastante daquela música clássica do primeiro Top Gear de Super Nintendo. Um capítulo à parte deve ser escrito para "Citizen Erased" e "Space Dementia". Esses épicos que superam os 6 minutos são a prova definitiva da genialidade de Matt Bellamy. Céus, nunca ouvi composições tão grandiosas em minha vida. Só podem ser frutos de uma mente brilhante, megalomaníaca e perturbada. O piano da primeira e as guitarras da segunda são dignos de encher estádios e ambas as músicas figuram na minha lista de melhores músicas de 2001. "Feeling Good", outra música de trabalho (esse disco pode gerar uns 10 singles, fácil, fácil...), possui um clima de música antiga muito interessante e é outro destaque, apesar do bobo trecho do vocal com efeitos. A última música, "Megalomania", é uma das coisas mais belas que já chegaram aos meus ouvidos: sombria e cheia de lirismo, é capaz de causar arrepios. "Origin Of Symmetry" é o melhor disco de rock de 2001 e, ironicamente, deixa o Muse à frente do Radiohead, seus supostos antigos “mentores”. Destaques: "Citizen Erased", "Space Dementia", "Megalomania" 10/10 Agosto 22, 2002
Especial Eleições Continuando a saga política desta revista eletrônica de variedades, mostraremos fotos impagáveis de um dos maiores estadistas deste país, Jânio Quadros. Para aqueles que, como eu, se divertem com as propagandas dos atuais candidatos "nanicos", como Enéas, Marronzinho e Levy Fidelix, tenho uma péssimo notícia. Nascemos na época errada. Jânio Quadros era a própria comédia política. Fazendo questão de mostrar caspa em seu terno e sanduíches de mortadela em seus bolsos, Jânio Quadros não só era identificado como populista, mas também como palhaço, característica essa que faz dele um grande estadista, afinal, política não é coisa séria. ;)
"Jesus, fuck me with the microphone!"
"Que esta forma decadente se transforme em Jânio-Ra, o ser eterno!"
Vovô e sua leitura matinal.
Para quem ele está olhando?
Jãnio bon vivant.
Naquela época nossos estadistas já se prostituiam para o FMI. Nota do editor: A Hiccup In Paradise, sua revista eletrônica de variedades, apresenta uma nova seção. Um dos aspectos mais cômicos das eleições são, sem dúvida, os slogans dos candidatos. Aqui vai uma breve coletânea de slogans de vários anos. Alguns ridículos, outros engraçados, e a maioria sem noção: Battochio - Seriedade Política Existe Pitta - Trabalho e Coragem Campos Machado - A Esperança Não Pode Morrer Zé Dirceu - Eu Voto no Presidente do PT Farabulini - Janista Histórico Lula em 82 - Ex-engraxate, ex-tintureiro, ex-metalúrgico, ex-sindicalista, ex-preso político: um brasileiro igual a você! Turco Loco - Sou louco por skate/rap/moda/natureza Quércia - O Voto do Povo Pedro Geraldo Costa - Bosta por bosta, vote Pedro Geraldo Costa! Collor - Vamos Collorir o Brasil! Enéas - Solução Inteligente? Doutor Enéas Presidente! Afif - Junto Chegaremos Lá! João de Deus - Sou João de Deus, candidato em nome de Vaaaaaaaaaaargas! Oscar - Oscar para senador! Para senador Oscar! Oscar para senador! Para senador Oscar! Eymael - Ey-Ey-Eymael! Um Democrata Cristão! (???) - Brasil é Penta, vote 40-80 (???) - É 2512, o dia do Natal, 2512 Kassab e Rodrigo - Quem sabe sabe, vota comigo, Federal é Kassab, Estadual é Rodrigo! PV - Água é vida. O PV sabe disso. Apolinário - Vamos pôr SP nas mãos de Deus! Agosto 21, 2002
Zao – Parade Of Chaos
Pela enésima vez na carreira, os membros do Zao anunciam o fim da banda. Sendo assim, Parade Of Chaos é supostamente o último disco da grandiosa carreira deles e foi lançado em um período muito conturbado de brigas e desentendimentos. O disco é uma continuação do celebrado Self-Titled Álbum, mas possui uma maior diversidade em suas músicas. Para cada faixa no estilo clássico deles ("The Buzzing", "A Pirate’s Prayer"), podemos encontrar pérolas inusitadas como a belíssima “Man In the Womb” ou a convincente "The Ballad of Buddy Bigsby". Entretanto, o Zao realmente acerta a mão quando funde essas duas vertentes. "Suspend Suspension" já entrou na galeria de clássicos da banda, com sua atmosfera eletrônica e a união de vocais berrados com um refrão cantado, e "Angel Without Wings", com seu refrão quase pop, porém natural e bem-colocado. O maior destaque do disco é a fabulosa "How Are The Weak Free", cujo climático vocal falado lembra a fase Liberate Ex Inferis, enquanto que a sonoridade das guitarras traz recordações do Self-Titled Album. Uma ótima escolha para encerrar o disco e a carreira da banda. A única faixa que não me convenceu tanto foi “Parade Of Chaos”, que apesar da boa letra, é um tanto sem graça e poderia ser mais elaborada. O vocal do Dan Weyandt continua sendo um dos melhores do gênero e deixará um rastro de imitadores para trás. A guitarra está mais agressiva e com um elemento “rock n’ roll” em seus riffs, chamando toda a atenção nas músicas e subjugando um pouco o baixo e a bateria. É lógico que em um mundo perfeito, o último trabalho do grupo seria um marco da sua importância no cenário do metalcore. No mundo real, entretanto, as bandas acabam porque estão saturadas, estado que se reflete na qualidade das músicas compostas no final de seus dias. Felizmente (ou infelizmente?), o Zao demonstra que apesar das inúmeras mudanças de integrantes e o longo tempo de estrada, ainda possui poder de fogo para permanecer no topo, lançando um dos melhores discos de 2002 e da própria carreira. Destaques: How Are The Weak Free, Suspend Suspension, Angel Without Wings 9/10 Julho 12, 2002
Five Pointe O - Untitled
Roadrunner - 2002 Antes do lançamento desse cd, tive a oportunidade de baixar a música "Untitled" no site da Roadrunner, não gostei, nunca pensei em comprar esse disco até vê-lo numa loja por R$17,00 e sem ter outras opções, comprei-o. Esse sexteto de Chicago me supreendeu com músicas de Newmetal não tão usuais quanto parecem ser à primeira vista. A começar pela "Double X Minus" que é uma entrada e tanto para o cd e mostra o belo vocal melódico e backing vocal gritado da banda. A segunda música "King Of The Hill" eu faço questão de destacar foi a música que mudou minha opinião sobre a banda, a introdução é bem chata até os (backing)vocals guturais entrarem e entrar um vocal melodico muito "gostoso", o refrão não é o forte e exatamente quando começa a ficar repetitivo, o vocal mostra mais uma vez sua habilidade com vocais berrados acompanhados de baterias rápidas, o unico defeito dessa música é que é bastante repetitiva tornando-a as vezes enjoativa. Vamos para a musica número três "Art Of Cope" uma boa música também, que lembra Rage Against The Machine, mas logo mostra que tem sua propria identidade, mais um ponto pros vocais que mandam bem. A quarta música "Purity 01" tem um clima muito bom: vocal gutural, gritos berrados, batidas marcantes, também é acompanhado de um bom ritmo e um otimo vocal "falado". Outro destaque do albúm é "Freedom?" a quinta música, em geral achei essa música a mais indicada para ser a primeira a escutar (pra quem não conhece a a banda), pois mostra bem oque a banda tem a oferecer. A sexta música é "Sympathetic Climate Control" começa com o vocal acompanhado de guitarras discretas com entradas instrumentais e vocais melosos com "seções" de gritos que são acompanhado de uma batida repitida, percebe-se também influencias eletronicas. A setima música, intitulada "Untitled" é a música de divulgação, encontra-se disponivel inclusive no site da roadrunner, é a música titulo do cd, vocais e baterias que agradam aos fãs de metalcore (bem comuns aqui...) essa música mostra bem o vocal e o backing vocal (mais uma vez digo: muito bom!) a parte intrumental "liberta-se" nessa música, indicadissima! A oitava música "Syndrome Down" não é uma música muito diferente das anteriores, evitando muitos comentarios é apenas mais uma. A nona música "Breathe Machine", mais uma destaque do cd, essa música varia entre um vocal mais rapido estilo RATM e alguns berros, mas com certeza o ponto forte é na metade da música onde a conhecida parada de alguns segundos que voltam com uma batida abafada e gritos (vocal -> backing vocal -> vocal) e variando entre um vocal simples e esses gritos, essa música não seria a mesma sem essa trecho. Vamos para "The Infinity" não é uma música como qualquer outra do cd, mas também não é um destaque do cd, sem mais comentarios. Finalmente a decima primeira e ultima música do cd "Aspire, Inspire" é uma música de 11 minutos, a finalização do cd, sim exatamente aquelas que tem uma introdução instrumental bem grande e apenas algumas frases na letra, apesar da letra de três frases é minha predileta. "Aspire, Inspire - If Not You Then Who? - If Not Now Then When?" Comentarios: :) Vocais! a bateria também é interressante e as mudanças de ritmos são bem feitas. :( Repetitivo, o que pode levar ao enjoativo (ainda não aconteceu comigo), as letras não chamam a atenção. Destaques: King Of The Hill, Freedom?, Untitled, Breathe Machine Nota: 7,5/10 Julho 04, 2002
Constrito - Um Fio de Vida no Círulo da Morte
Antes de conhecer o Constrito, eu era daqueles que faziam comentários do tipo 'pra uma banda brasileira, é legal'. Mudei meus conceitos depois de comprar esse cd. No primeiro álbum sério da banda, encontramos uma variedade de estilos influentes no som, como death metal, grindcore, etc, que fizeram com que Constrito se tornasse uma das bandas brasileiras com melhor qualidade sonora dos últimos tempos, superando muitas grandes bandas da cena hardcore. Depois de introdução, começamos com 'Umundíi', faixa que fala da situação dos índios no Brasil; muita agressividade e peso, boa faixa para abrir o cd. Seguimos com 'Permissividade', faixa épica falando sobre prostituição; ouvindo com atenção não me surpreendo se você chorar com a perfeição da música. Logo em seguida temos a 'música de trabalho' do disco, 'Diáspora (ato 1)': muita complexidade na parte instrumental, e claro que nunca perdendo o peso; o nome ja diz, é sobre a vinda dos sertanejos para a cidade grande tentar a vida. A proxima faixa é 'Ciclo de Purificação', que fala sobre o sistema carcerários; em alguns momentos da música é onde a banda tem mais influências grind e death metal, partes que arrepiam de tanta fúria e peso. Anexada a ela temos 'Amerikkka para todos', que fala da globalização americana; uma das músicas mais perfeitas do cd, muito complexa e muito pesada, transmitindo muita dor e sofrimento. 'Espaço de Conhecimento', que fala das escolas públicas brasileiras, é uma música que eu não tinha dado devido valor às primeiras ouvidas, mas provou ser uma obra prima: 2 minutos de introdução que antecedem uma das faixas mais furiosas do cd. A ultima faixa concreta do cd é 'Por Pedras e Fogo', que relata a época da Ditadura. Na minha opinião poderia ser colocada mais no começo do disco, cedendo seu lugar para 'Permissividade', música digna de finalizar o cd. Claro que é uma boa música, mas ao meu ver, não boa o bastante. Em último lugar mesmo vem a faixa 'Considerações Finais', que assim como a primeira faixa do álbum, são somente frases declamadas. Para mim é uma obra prima do hardcore, e sei que muitos concordam comigo. Se você se julga fã do estilo e não ouviu ainda, garanto que você está perdendo muito. Mais informações: http://xliberationx.com 10/10 destaques: Umundíi, Permissividade, Diáspora, Ciclo de Purificação, Amerikkka para Todos A Soma de Todos os Medos (The Sum of all Fears - EUA - 118min / 2002) Direção: Phil Alden Robinson Roteiro: Tom Clancy, Paul Attanasio, Daniel Pyne ![]() Seguindo a classificação 'aventura' dada ao filme, fui ao cinema com uma ideia totalmente diferente do que estava por vir. 'A Soma de Todos os Medos' é pura tensão do começo ao fim, situações críticas que o diretor leva até o último segundo que o espectador conseguiria aguentar. O personagem principal é Jack Ryan (Ben Affleck) que já foi usado em outros romances do roteirista Tom Clancy, como: 'Jogos Patrióticos' e 'Perigo Real e Imediato' (protagonizado por Harrison Ford), e 'A Caçada ao Outubro Vermelho' (protagonizado por Alec Boldwin). Jack é um agente novato da CIA que, junto com seu seperior (Morgan Freeman), tentam de qualquer modo investigar e resolver a situação crítica que existe entre os EUA e Rússia (fato que foge da realidade nos dias de hoje), mesmo que utilizando-se de métodos sujos. O que mais me chamou atenção no filme foi a fotografia: perfeita, cores lindas e ângulos magníficos; além de muitos efeitos especiais (o filme custou mais de US$68 milhões para ser feito!). Qual é o motivo do título do filme? Imaginem o que um país pode mais temer durante uma guerra? Um ataque nuclear. Assistam e vejam como a explosão de uma bomba atômica numa cidade grande americana pode causar estragos. 9,5/10 Destaques: fotografia, roteiro inteligente O Jogo dos Espíritos (Long Time Dead - 94 min / 2002) Direção: Marcus Adams Produção: James Gay-Rees
Primeiro filme de Marcus Adams, com atores ingleses feios e desconhecidos, é pródigo em nos trazer um filme de terror de qualidade. Na verdade, o melhor dos últimos tempos, desde "A Bruxa de Blair". A história é simples. Um grupo de jovens estudantes de Londres, depois de uma sessão de álcool e drogas, resolvem brincar com a famosa tábua Ouija. Eles libertam um espírito maligno que começa a matá-los um a um. É simples mas não é boba. Por incrível que pareça há uma trama razoavelmente complexa para um filme do gênero por trás. Outro ponto forte é que certas coisas são reveladas só no final, inclusive a cena final, o que ajuda a manter o suspense durante todo o tempo. Não me lembro de filme recente onde é possível tomar tantos sustos quanto este. Se você é fã de filmes de terror, este é um candidato a clássico e você se arrependará se não o vir na telona enquanto é tempo! Se você acha esse gênero meio bobo mas gosta de tomar sustos, vá do mesmo jeito! Se você é cético quanto a essas coisas de espíritos, o filme abre uma brecha para você. Antes de fazerem a brincadeira, reparem que o grupo toma todos os tipos de drogas, desde maconha até cocaína (esta última em uma cena antológica onde eles cheiram no trilho do trem), ou seja, seria tudo uma grande ilusão? :) (não, este não é mais uma cópia de Sexto Sentido, podem comprar seus ingressos) 8 / 10 (dentro do gênero) Destaques: atores feios, muitos sustos, drogas, trama complexa, mistérios Star Wars - Darth Maul (mini-série em duas edições - Pandora Books)
Aproveitando-se da febre Jedi que assola não só o país mas como todo o mundo a cada novo lançamento da primeira trilogia, a Pandora Books está lançando alguns quadrinhos sobre o tema da ótima editora Dark Horse. Se hoje foi uma mini-série com o vilão do Episódio 1, Darth Maul, amanhã será "A Caçada de Darth Vader", o primeiro confronto entre o futuro Anakin e seu filho Luke, aventura inédita e passada entre os episódios 4 e 5. Nota 10 para a iniciativa da Pandora, que trouxe quadrinhos sobre Star Wars e, melhor ainda, da Dark Horse. Mas tenho que ser duro, a história em si não é das melhores. Não sei se é ruim por definição ou se é relativo, afinal o parâmetro que temos para Star Wars são os filmes, e não é a toa que os quadrinhos soam estranhos. A arte é bem feita, sem dúvida, mas o argumento deixa a desejar. Primeiramente o fã normal de Star Wars, como eu (alguém que vá na pré-estréia vestido de Darth Vader NÃO é normal), não está tão familiarizado com algumas coisas que os quadrinhos assumem como conhecidas. Aliás, desconfio que muitas delas realmente não são conhecidas. O leitor entra em contato com um turbilhão de informações nas primeiras páginas, e as seguintes são preenchidas com cenas indecifráveis de pancadaria. A plástica de uma luta de sabre de luz nos quadrinhos realmente não é algo muito agradável. Ponto forte para o personagem título. Em uma de suas primeiras missões para os Sith, Maul mostra toda sua frieza em aniquilar a maior máfia da galáxia. 6 / 10 Destaques: Darth Maul Thursday – Full Collapse
Não, este não é um disco de metalcore. Entretanto, não confunda o Thursday com uma banda de emo qualquer. Estas, quase sempre derivativas e cheias de clichês, nem chegam perto da música dessa banda americana. Para começar, pode-se dizer que o trabalho instrumental desse disco é perfeito: guitarras complexas e sobrepostas, alternando momentos de plena distorção ou pureza sonora, baixo preciso e ousado, sem se limitar ao burocrático estilo da maioria dos baixistas e uma bateria criativa e dinâmica. Essa fundação é capaz de fazer bem mais barulho do que se espera de uma banda de emo. Em alguns momentos, você se pega pensando em como o Thursday é surpreendentemente barulhento e tem pegada no som. O vocal é o aspecto mais intrigante do disco: a voz anasalada do Geoff Rickley é difícil de se apreciar logo no início, mas na medida em que você ouve mais e mais o álbum, começa a compreender o valor dela nas músicas, e como ela é uma parte integral das canções. Certamente, há uma dose generosa de emoção nas letras e no vocal e essa genuinidade é o que compensa tal timbre. Em relação ao vocal gritado (sim, ele grita), nada a reclamar, exceto que, às vezes, o moço soa um pouco forçado. A moral da história aqui é que mesmo se o Xororó estivesse cantando, as músicas continuariam sendo ótimas, devido à grande parte instrumental e à qualidade das composições. “Paris In Flames” é uma das músicas mais bonitas que já ouvi em minha vida, daquelas de trazer lágrimas aos olhos, “How Long Is The Night” é uma canção épica, com belíssimas guitarras em cascata e um baixo nem um pouco tímido. “Wind Up” começa mansa mas engata uma quinta marcha e se torna uma das músicas mais pesadas do disco, sem perder o forte senso de melodia da banda. Enfim, cada música do disco tem suas próprias peculiaridades e virtudes e é difícil de apontar algum ponto fraco em Full Collapse. As duas das quais menos gosto, “Cross Out The Eyes” e “I Am The Killer”, são favoritas de muita gente que conheço, o que só pode ser um bom sinal. Full Collapse é certamente um dos melhores discos de 2001 e trouxe um contrato com a Island/Def Jam para a banda. Trata-se do disco perfeito para você descansar seus ouvidos dos Dillinger Escape Plans ou Converges da vida, sem perder a verve roqueira que reside em você. 9/10 Destaques: Paris In Flames, How Long Is The Night, Wind Up Junho 30, 2002
Heaven Shall Burn - Whatever It May Take
O novo disco da banda alemã mais querida dos brasileiros (é só notar a repercussão dos shows aqui) pode ser definidio em uma palavra: DEATH. É curioso notar como o Heaven Shall Burn tem esse som "satânico" e possui letras totalmente engajadas, que tratam de questões político-sociais, mas com bom gosto, fugindo do cliché do gênero e empregando linguagem figurativa. Após uma breve introdução, a banda nos dá as boas vindas com "Behind A Wall Of Silence", uma síntese do som deles: riffs melancólicos, bumbo duplo e o vocal berrado e de tons alternados do talentoso Marcus. O Heaven Shall Burn está em seu ápice técnico, como foi visto nos shows aqui no Brasil. A bateria de The Worlds In Me, a guitarra de Implore The Darken Sky e os vocais carregados de emoção de Whatever It May Take são ótimos exemplos de como os alemães sabem o que estão fazendo. Nisso, a banda não mudou em relação ao disco anterior, Asunder. Entretanto, a tendência de algumas músicas se misturarem entre si, talvez devido à falta de identidade delas, já não é tão sentida aqui. Claro, todas as músicas são maravilhosas em ambos os discos, afinal elas possuem tudo que há de melhor no gênero. Mas faltava um pouco daquele elemento que faz com que a música fique na sua cabeça o tempo todo. O refrão de "The Fire", por exemplo, consegue fazer isso. "Implore The Darken Sky", com seu riff principal bem característico (apesar das notas excessivamente agudas de seu final), e a pausa de "The Few Upright" também têm esse apelo, na minha opinião. Enfim, ao contrário do Asunder, a banda conseguiu colocar, pelo menos, um momento bem distinto desses em cada música. O disco realmente brilha na sequência The Martyrs' Blood, It Burns Within, Implore The Darken Sky, The Few Upright e Whatever It May Take. Sim, não há uma Asunder aqui, mas o nível geral das músicas melhorou bastante. Há um maior equilíbrio entre as faixas, ao invés de grandes destaques alternados com músicas razoáveis. Esse fato, e as letras muito mais trabalhadas, é o que torna Whatever It May Take superior ao seu antecessor. Pode levar um tempo para se notar isso, como ocorreu comigo, mas é óbvio que o HSB evoluiu de lá para cá. 9,5/10 Destaques: The Fire, Behind A Wall Of Silence, Implore The Darken Sky The Red Chord - Fused Together in Revolving Doors
Foi criada uma grande expectativa em relação ao primeiro lançamento do The Red Chord pela Robotic Empire , que não foi em vão o disco é maravilhoso combina elementos de mathcore , grindcore e metalcore. Dizem que é Burnt by the Sun encontrando A life Once lost. A banda é tão autentica mistura tantos estilos e tem tanta tecnica que é até dificil descreve-la . Suas musicas brutalmente bem trabalhada e os vocais variando do intenso e pesado para alguns barulhos expelidos pelo talentoso vocalista fazem uma combinação perfeita . É chocante este album ser o primeiro e ainda de uma banda tão nova. Percebemos estrumentos dos mais variados desde barulhos tribais e melodia na "He was Stretching , and then he Climbed up There" . A abertura da "Dreaming in Dog Years" traz um piano e uma bateria que dão uma sensção de jazz que logo é seguida pelas guitarras caoticas , caracteristicas da banda. Não deixe de escutar esse disco e se der compre-o pois sera um bom investimento , musica solida, devastadora e complexa . 9 / 10 Destaques : Nihilist e That Certain Special Ugly Junho 29, 2002
Eyes Upon Separation - I Hope She's Having Nightmares Esse album é um dos melhores que eu escutei recentemente . A banda conta com musicos de peso . incluindo o ex-vocalista do ZAO que ficou por conta do baixo . Eles são muito comparados com Dillinger Escape Plan e Botch , que por sinal são otimas bandas , mas na minha opnião possuem muitas diferenças por isso não deixe de escuta-los . Mathcore de boa qualidade , com vocais agressivos e muitas veze falado e um som brutal . Outro ponto que chama atenção é que eles misturam estilos como na "Tongues of Poison ( the Angus Tragedy )" em que há melodias que lembram o maravilhoso metalcore e na "They Took The 'r' Out Of New York" que tem um barulhos experimentais e guitarras distintas e sem esquecer o groove da "No. 5 With a Bullet". Uma excelente produção faz desse disco um dos melhores do genero . Brutal . Intenso . Meticuloso .... Não deixe de conferir ! 9,5 / 10 Destaques : It Must Be Take a Worm For a Walk Week e Tongues Of Poison ( the Angus Tragedy) Junho 20, 2002
Matmos—A Chance to Cut is a Chance to Cure
Matmos é eletrônica das melhores. Com composições geniais Matmos revive toda a magia dos primeiros trabalhos desse gênero. No maior estilo Kraftwerk esse duo americano faz de sons de cirurgia cosmética música. Seguindo a mesma linha de trabalho de Bjork, pra quem já produziram, Matmos trás sons introspectivos e muito imersivos. Quando anunciaram a utilização de tais sons causaram grande desconfiança, mas mostraram um trabalho bonito e criativo. Faixas como Lipostudio e Spondee são fascinantes com uma levada deep e progressiva, os sons molhados de Lipostudio são exóticos e ritmados trazendo todo um groove gostoso de se ouvir assim como Ur Tchun Tan Tsi Qui .Os trabalhos anteriores também são de grande referencia.Quasi- objects e The West vêm na mesma linha com sons de minas e western respectivamente. Matmos é eletrônica pra quem gosta de criatividade e competência! Junho 19, 2002
The Orb Cydonia
O novo álbum da banda inglesa Orb, mostra que a chill out music pode trazer grandes supresas, sobretudo para aqueles que não conhecem o estilo. Sons atmosféricos e das mais inusitadas origens como samples de filmes, dicursos de Hitler e até mesmo sons da natureza com bateria eletronica. Tantos elementos integram a psicodelia de Orb que conduz a uma atmosfera uterina. Um trabalho que volta ao electro do inicio dos anos 90, mas com um toque moderno de equalizaçao diferenciada. As viagens lisergicas de Orb garantem atemporalidade, fator raro nas produçoes de eletronica. Faixas como Ghost Dancing e Plum Island dão a frieza eletronica alma com os vocais fantasmagoricos femininos. Mas talvez a melhor faixa seja Terminus, a última. Uma longa jornada de trance progressivo e totalmete ambient e reconfortante, ou mesmo A Mile Long Lump of Lard que traz a brutalidade de Massive Attack mas com maior acessibilidade. Vale conferir! Junho 18, 2002
Nelso Gonçalves - 50 Anos de Boemia
O Frank Sinatra brasileiro não só era musicalmente genial, como tinha atitude. Comparável à Tim Maia e Zeca Pagodinho, a história da melhor voz que esse país já teve começou no Brás, em São Paulo, onde foi criado. Bastante impulsivo e violento, aos 16 anos foi campeão paulista de boxe na categoria peso-médio. Envolveu-se com a boemia e a música quando trabalhou como garçom no bar de seu irmão, na Avenida São João. Ao se mudar para o Rio, começou sua carreira de músico como crooner do Cassino Copacabana Palace. Rodou o Brasil todou e fez alguns shows internacionais. Em Nova York, sua voz foi elogiada por ninguém menos do Frank Sinatra. No final dos anos 50 envolveu-se com cocaína, chegando a ser preso em flagrante. Sua vida pessoal parecia misturar-se aos dramas descritos em suas músicas. Nelson viveu e retratou plenamente a sua própria arte. Ele, que estudou muito música, tinha uma técnica acabada e completa em afinação, harmonia, respiração, tônicas e divisão de palavras. Nelson marcou para sempre os boleros, os tangos, os foxes e qualquer coisa que cantasse. Enobreceu a dor-de-cotovelo, fez do brega uma coisa chique de uma maneira pioneira, toda sua. Nelson conseguiu reunir vários apelidos e títulos tais como, Rei do Rádio, Metralha (por ser gago), malandro, rouxinol, Frank Sinatra brasileiro, macho brasileiro, herói etc. Somente o tempo e o distanciamento histórico necessários para se entender melhor a dimensão e importância de Nelson Gonçalves para a música brasileira. Muita coisa precisa ser feita a seu respeito. Como ele mesmo disse, "sou uma espécie de dinossauro". Escrevo aqui mais para homenagear esse peso-pesado da música do que para comentar de um album específico. No entanto, recomendo a coletânea em 3 volumes "50 Anos de Boemia". Para aqueles que não tem mente aberta, é verdade, Nelson Gonçalves não tem guitarras distorcidas, mas distorce a realidade cantando a boemia, a bebida e a orgia. 10/10 Destaques: A Volta do Boêmio, Naquela Mesa Taken - Finding Solace In Dissension
Com um som muito dinâmico e cheio de influências diversas, o Taken conseguiu alguma fama com esse EP, lançado na adolescência dos membros da banda. Alternando momentos de emo puro com explosões de fúria e barulho que lembram mathcore (a nervosa "Drowning In Numbers", por exemplo), o Taken é uma banda que sempre surpreende e coloca inúmeros segmentos diferentes dentro de uma mesma música, dando um alto valor de "replay" para o disco. A aparente confusão pode assustar algumas pessoas, entretanto. O lado técnico da banda é respeitável. Os caras se arriscam e tentam passagens sofisticadas de harmonia e tempos bizarros. O baterista naquela época, Troy, era um dos melhores da cena: excepcionalmente rápido, técnico e criativo. Só o show que o moço dá aqui já vale o disco (preste atenção na bateria de "Pacifier"). O vocalista berra muito bem, mas podia ter uma voz melódica melhor. Pelo menos, há uma sinceridade nos vocais emocionados dele. Há uma dificuldade inicial de seguir um pouco a linha das músicas e até de identificá-las. Entretanto, na medida em que o tempo passa, cada uma delas demonstra trechos memoráveis que ficam na cabeça e não saem mais. Algumas passagens são realmente tocantes e genuínas, como o final de "The Best I Had". Se você for dos mais sensíveis, pode pegar um lencinho porque lágrimas virão aos seus olhos. O maior destaque do disco é "Dress Rehearsal", considerada por muitos como a melhor música de 2000, mas todas as faixas são ótimas e merecem ser ouvidas. 8,5/10 Destaques: Dress Rehearsal, Pacifier, The Best I Had Junho 15, 2002
Radiohead - I Might Be Wrong, o mais novo álbum do Radiohead lançado no Brasil, que agradará muitos fãs da fase nova da banda (o trabalho da banda a partir do Kid A. Muitos separam as fases da banda pelo OK Computer, mas eu discordo totalmente). O disco conta com 7 faixas, somente do Kid A e Amnesiac (mais novo cd de estúdio), além da última faixa, 'True Love Waits', ainda não lançada oficialmente. Abrindo o cd, temos 'The National Anthem' faixa psicodélica e hipnótica, ilustra bem a nova cara da banda depois do The Bends. A falta de recursos eletrônicos deixaram a versão de estúdio bem melhor do que essa. Logo em seguida temos 'I Might be Wrong'; o título do cd não poderia ser melhor escolhido, a versão ao vivo ficou muito melhor do que a de estúdio, muito mais agressiva e deliramte. Seguindo as faixas, temos 'Morning Bell' (versão original do Kid A), e 'Like Spinning Plates'. Essa sim merece destaque, diferencia-se da versão do Amnesiac por ser levada no piano, ao invés dos sons eletronicos do estúdio. Essa nova versão ficou muito bonita e bem construída, mas não diria que me agrada mais que a original. Depois de 'Idioteque' temos 'Everything in its Right Place', uma das melhores coisas que a bandas fez até hoje na minha opinião. No show que foi tocada, diferenciou-se da versão original pela seqüência frenética de efeitos eletronicos, que levaram os fãs ao delírio durante o show; diria que estruturalmente está melhor, mas o climax alcançado em estúdio não conseguiu ser alcançado da mesma forma. Logo após temos 'Dollars and Cents', versão que ficou muito bonita ao vivo, e a faixa inédita 'True Love Waits', finalizando o cd. Espero que a banda não siga esse rumo por completo nos próximos trabalhos, eu compararia essa faixa à 'Fake Plastic Trees' (acho que exagerei, a música não é tão ruim assim)... Bom, está nos moldes de um meio termo entre o Bends e o OK Computer. Resumindo, é uma boa coletânea, ótima seleção dos últimos trabalhos (se bem que 'In Limbo' e 'You and whose Army?' poderiam entrar), e qualidade sonora fantástica. Mas não aconselho para fãs não muito ligados ao som da banda, porque as músicas não se prendem 100% às originais. Garante 40 minutos de êxtase, normal vindo do Radiohead, uma das melhores bandas de todos os tempos. 08/10 Destaques: I might be Wrong, Like Spinning Plates, Everything in its Right Place |